13 outubro 2015

os criadores do Japão: Izanagi e Izanami!

Izanagi e Izanami os criadores do Japão!



Segundo a mitologia japonesa, após “A criação do Mundo e dos Deuses”, os deuses Izanagi (“Aquele Que é Convidado”) e Izanami (“Aquela Que Convida”) criaram o Japão e muitos dos seus deuses. Muitas histórias sobre Izanagi e Izanami são contadas em duas obras, o Kojiki (Registros dos Assuntos Antigos) e o Nihongi (Crônicas do Japão), fontes de onde é haurida toda a antiga mitologia japonesa. Um desses mitos descreve como esses deuses descem ao Yomitsu Kuni, o “submundo e a terra das trevas”.

Izanagi & Izanami e a Criação das Ilhas 
(versão Kojiki) 
Dentro da mitologia japonesa, os deuses Izanagi e Izanami foram os encarregados pelos “Deuses Primordiais” de formar uma série de ilhas que converteriam no que hoje é o Japão. Posterior à criação do Japão “Kuniumi” (criação do país) seriam então criadas pelos Deuses as “Ilhas”. Para ajudá-los em sua divina tarefa, “Ame-no-nuboko” (A Sagrada Lança) que era toda coberta de pedras preciosas, foi entregue ao casal.
Izanagi e Izanami estavam a postos na ponte flutuante do céu e, com a lança sagrada em punho, agitaram o oceano. Quando eles levantaram a lança, as gotas que caíam de volta para a água coagularam e formaram a primeira terra firme, uma ilha chamada Onogoro-shima “Espontaneamente Coagulada”. Logo após a formação desta ilha, ambos os Deuses desceram do céu, edificando de maneira espontânea um augusto altar chamado “Yashidono”; uma augusta coluna celeste chamada “Ama-no-me-hashira”; e, ao redor desta, uma augusta sala de oito brazas. Deram então início, após estes atos, a uma conversa:
Izanagi: — De que forma teu corpo tem se formado?
Izanami: — Meu corpo está completamente formado, mas há uma parte que não tem crescido e está fechada.
Izanagi: — Meu corpo igualmente está totalmente formado, mas tem uma parte que tem crescido demasiadamente. Assim, penso que se introduzir “aí” a parte de meu corpo que tem crescido demasiadamente, procriaremos as Ilhas. O que acha?
Izanami aceitou a proposta de Izanagi e este fez outra proposta, para que ambos girassem ao redor da coluna Ama-no-me-hashira. Izanami para direita e Izanagi para a esquerda. Então, ao se encontrarem realizariam a procriação. No entanto, depois de ter-se encontrado no pilar, Izanami foi a primeira a falar.
Izanami: — Oh, em verdade, és um jovem formoso e amável!
Depois Izanagi: — Oh, que jovem mais formosa e amável!
No entanto, Izanagi repreendeu Izanami dizendo: — Não é correto que seja a mulher quem fale primeiro!
Apesar disso, ambos consumaram o ato da procriação, sendo que mais tarde, de maneira repentina, engendraram um filho chamado Hiruko “Menino sanguessuga”. Este foi posto em uma barca de juncos, sendo arrastado pela corrente. Depois deram nascimento a Ahashima “Ilha de Espuma”. Porém, por sua estranheza, tanto Hiruko como Ahashima não foram considerados filhos legítimos de Izanagi e Izanami.
Mais tarde Izanagi e Izanami conversaram a respeito do problema de ter engendrado filhos imperfeitos e decidiram ir a “Takamagahara” (Planície dos Céus Elevados) para consultar os Deuses Primordiais. Os deuses, mediante a adivinhação, responderam-lhes que a razão do problema era porque a mulher tinha falado primeiro (Na cultura dos antigos japoneses, a mulher só falava depois do homem e só podia andar atrás do homem, nunca ao seu lado). Assim, o casal de deuses voltou a Onogoro-shima e novamente giraram sobre a augusta coluna de Ama-no-me-hashira e ao se encontrarem, Izanagi foi o primeiro a falar seguido por Izanami. Ao terminar, realizaram a augusta união entre ambos e assim começaram a procriar as Ilhas  para trazerem novas gerações e novas terras a partir da Terra.

A Criação dos Deuses (Kamiumi) 
Izanami logo deu à luz oito filhos adoráveis, que se tornaram as ilhas do Japão. Izanagi e Izanami, então, criaram muitos deuses e deusas, para representar as montanhas, vales, cachoeiras, rios, ventos e outros recursos nativos do Japão. Dentro da mitologia japonesa, o episódio da Criação dos Deuses “Kamiumi”, ocorre posterior ao nascimento das ilhas do Japão e referem-se ao nascimento das deidades filhos de Izanagi e Izanami.
No entanto, durante o nascimento de Kagutsuchi, o deus do fogo, Izanami teve seu corpo gravemente queimado, ferindo-a mortalmente. Izanagi, ao ver morrer a sua amada esposa, ficou possuído por um ódio insano; Tomou sua espada de dez palmos e assassinou Kagutsuchi, despedaçando-o. Do sangue e dos restos de Kagutsuchi, também nasceram outras variedades de Deuses. Mesmo em seu leito de morte, Izanami agonizante continuou a gerar deuses e deusas, e ao chorar sua morte, ainda outras divindades emergiram das lágrimas do aflito Izanagi.

A descida ao Yomitsu Kuni “o submundo”        
Quando Izanami morreu, ela foi enviada ao Yomitsu Kuni (mundo dos mortos). Izanagi desesperado decidiu cruzar as portas do submundo com a missão de trazer sua amada de volta…
Izanami cumprimentou Izanagi das sombras enquanto ele se aproximava da entrada do Yomi. Ao encontrar Izanami, o deus lhe disse: “Os países que tu e eu criamos ainda não foram totalmente terminados. Voltemos”.  Izanami respondeu-lhe: “Meu  senhor e marido, que lástima, por que tua vinda é tão tarde? Eu já comi da comida do Mundo de Yomi!… No entanto, vou me consultar com as deidades daqui. Peço-te que de nenhum modo me olhes”. Dizendo isso, Izanami adentrou no submundo desaparecendo nas trevas.
Não obstante, passava o tempo e Izanami não regressava, Izanagi começou a se desesperar. Angustiado com a demora e determinado a encontrar  a esposa, Izanagi acendeu uma tocha e olhou dentro do Mundo de Yomi. Mas ao olhar mais de perto se surpreendeu com a imagem aterrorizante, viu  que sua amada esposa já não era a mesma,  Izanami agora era um cadáver em decomposição. A deusa de outrora, tão bela, tinha se convertido em um ser cadavérico e parte de seu corpo já estava putrefato e cheio de vermes. Sobre  seu corpo disforme, surgiram ainda outros oito deuses horrendos, e o deus do trovão (Ryujin).
Horrorizado com o que viu, Izanagi decidiu regressar, mas a própria Izanami envergonhada por sua aparência, ordenou as “Yomotsushikome” (espíritos hediondos femininos) a perseguirem o deus.
Na fuga do mundo dos mortos, Izanagi tirou uma grinalda de sua cabeça e a atirou ao solo convertendo-a em um cacho de uvas. As Yomotsushikome começaram a comê-las dando a Izanagi uma dianteira, mas logo o alcançaram novamente, de modo que ele rompeu a presilha de sua cabeleira e atirou-a ao solo transformando-a em brotos de bambu, provocando as Yomotsuhikome que as comessem. Elas pararam e começaram a brigar entre si pelo broto de bambu e assim Izanagi pôde livrar-se de suas algozes horrendas.
Irada por Izanagi não ter respeitado os seus desejos, Izanami enviou ainda o deus do trovão, e um exército de mil e quinhentos guerreiros ferozes do Yomi para continuar a perseguição. Enquanto corria Izanagi desembainhou sua espada de dez palmos e brandiu com ela, fazendo um barulho ensurdecedor a ponto de fazer cair muito dos guerreiros que o perseguiam. Ao chegar a “Yomotsu-hirasaka” (a ponte que ligava Yomi a terra dos vivos), Izanagi tomou três “melocotones” de uma árvore que tinha crescido naquele lugar e golpeou com eles os seus perseguidores que fugiram. 
Izanagi conseguiu escapar, bloqueando com uma gigantesca pedra a passagem entre o mundo dos mortos e o mundo dos vivos. Então, Izanami surge ameaçadora a sua frente, cruzando seus olhares pela última vez, a deusa  ameaça: “Se continuar a comporta-te deste modo, estrangularei e farei morrer em um único dia, mil homens em tua terra!”, ao que Izanagi retruca e diz: “Em troca mil e quinhentos homens nascerão!”. Sendo essas palavras consideradas uma alusão ao ciclo de vida e morte da humanidade.

O Nascimento da Nobre Trindade: Amaterasu, Tsukuyomi e Susanoo
Ao retirar-se do Yomi, Izanagi sentiu-se imundo por causa do seu contato com os mortos, e decidiu tomar um banho para se purificar, realizando o Misogi (Cerimônia Xintoísta da purificação). Enquanto se banhava no rio Ahakihara, em Tachibana-no-Ono, no país de Tsukushi, de suas vestes colocadas no solo, outras divindades nasceram, deuses e deusas, tanto do bem como do mal.
Por fim, de seu último ato de purificação, nasceram os três deuses mais importantes do Xintoísmo: Amaterasu-ōmikami “Augusta Deusa do sol”; Tsukuyomi-no-mikoto “O Deus da lua”; e Takehaya-susanoo-no-mikoto “Deus do mar”. A deusa do sol Amaterasu, nasceu  de seu olho esquerdo, o deus da lua Tsukuyomi, apareceu de seu olho direito, e Susanoo surgiu de seu nariz. Orgulhoso com o nascimento de seus três nobres filhos, os três deuses, chamados Mihashira-no-uzu-no-miko “Três filhos ilustres”, Izanagi dividiu seu reino entre eles.
Logo após o nascimento da tríade, Izanagi decidiu atribuir uma tarefa a cada um deles: para Amaterasu ele entregou um colar sagrado que simbolizaria o poder divino, tornando-a deusa do Sol a habitar o céu, enquanto para Tsukuyomi ele atribuiu a Lua, tornando-o deus da noite, a Susanoo, ele entregou o comando dos Oceanos. Por fim Izanagi dá por concluída sua missão da criação, e parte para a ilha de Ahaji, onde passou a viver em total reclusão.

Essa é a principal historia sobre eles, vamos às associações agora.
Izanagi:
É Deus: da criação, Pai do Japão.
Cores: branco.
Velas: branca.
Oferendas: todas as comidas japonesas.

Izanami:
É Deusa: da criação, Mãe do Japão, do submundo.
Cores: branca e preta.
Velas: bicolor branca e preta.
Oferendas: todas as comidas (devem ser entregues como oferenda aos mortos).
Espero que tenham gostado, que os deuses lhe abençoem!

Raffi Souza

06 outubro 2015

o Culto aos Deuses Gregos

Culto aos deuses gregos

Os gregos eram um povo politeísta, ou seja, que cultuavam vários Deuses, os principais (ou mais importantes) eram Apolo na ilha de Delfos por causa do seu oráculo, Zeus sendo o pai da humanidade, e antigamente deuses da guerra tais como Ares (deus da guerra sangrenta), Atena (deusa da estratégia em batalha), entre tantos outros.
Todas as polis tinha seu local de culto fosse aos inúmeros templos erguidos em nome aos deuses ou então na “chama da cidade” local que seria o centro da polis. A chama da cidade era o fogo sagrado de Hestia, toda vez que uma nova cidade seria construída ou então ganhasse nome essa chama devia ser levada pela pessoa mais influente da cidade, fosse o imperador, o rei ou o líder do exercito, este costume vive ate hoje na pratica da “tocha olímpica” que vem de um lugar ao outro, porem lá era em todas as cidades, e durante todo o ano.
A principal religião da Grécia antiga era o Helenismo, e os Mistérios de Eulêsis, este ultimo teria surgido durante o rapto de Perséfone, onde Demeter teria ensinado aos mortais a arte do arado e plantio da terra, desde então templos foram construídos para o ensino desses mistérios.
Uma das praticas dos gregos para mostrar sua devoção aos deuses eram os sacrifício.
O culto na Grécia consistia tipicamente do sacrifício de animais domésticos no altar, em meio a hinos e orações. Partes do animal eram então colocadas sobre as chamas, para os deuses; e os participantes comiam o resto. A evidência destas práticas é descrita com exaustão na literatura antiga, especialmente nos épicos de Homero. Ao longo dos poemas, o uso deste ritual fica aparente em banquetes onde carne é servida, em épocas de perigo, ou antes, de alguma empreitada importante, como meio de se obter o apoio dos deuses. Na Odisseia, por exemplo, Eumeu sacrifica um porco com uma oração por seu mestre, Odisseu; na Ilíada todos os banquetes dos príncipes se inicia com um sacrifício e uma oração. Estas práticas, descritas em períodos pré-homéricos, apresentam traços em comum com formas de sacrifício ritual do século VIII a.C. Ao longo do poema banquetes especiais são realizados sempre que os deuses indicam sua presença, seja através de algum sinal ou de algum sucesso em combate. Antes dos guerreiros gregos partirem para Troia, este tipo de sacrifício animal é realizado, e Odisseu oferece a Zeus, em vão, um cordeiro. Estas situações de sacrifícios nos poemas épicos de Homero podem indicar uma visão dos deuses como membros da sociedade, e não entidades externas, indicando laços sociais com eles. Os sacrifícios rituais desempenhavam um papel crucial na formação de relações entre o humano e o divino.
Outra pratica importante era as libações, praticamente sempre de vinho, sendo o primeiro produzido, ou o melhor vinho que da cidade, onde era derramado sobre as chamas aos deuses olímpicos (os deuses que viviam no Olimpo) ou jogados em “buracos” para os deuses Ctonicos (que viviam no submundo), pois acreditavam que o vinho era a bebida que mais agradavam os deuses, depois do Nectar, este ultimo era destinado apenas aos deuses e os mortais não teriam acesso (ele ficava em posse de Ganimedes e Hebe, os “serventes” dos deuses).
Alguns deuses não eram cultuados em templos, e sim em outros lugares, como no caso da Deusa Hecate, ela era cultuada nas estradas, e principalmente nas encruzilhas de três caminhos (seria como as que formam um pé de galinha, e não uma que tivesse como voltar, ou dois novos caminhos, seriam três novos caminhos) Hecate tinha alguns festivais em sua honra, mais era principalmente nas sextas feiras 13 em que os seus devotos, ou ate mesmo as pessoas da cidade saiam em procissão para ela, o mês que mais tinha festivais era o de Agosto.
Hades também era um exemplo disso seu culto era fora de casas e templos, pois muitos o temiam por ser Deus do mundo inferior, entre tantos outros Deuses que não tinha seu culto em templos.
Cada Deus grego tinha seus próprios sacerdotes, iguais as Pitonisas que eram sacerdotisas do Deus Apolo, elas viviam e trabalhavam no templo dele em Delfos. Dentre tantos outros deuses.
Bem espero que tenham gostado, qualquer duvida é só comentar!

Raffi Souza.

29 setembro 2015

como os deuses eram cultuados no Egito!

o culto aos deuses egípcios!

 Para você compreender o politeísmo egípcio, ou seja, o culto a vários deuses, faz-se necessário esclarecer algumas características da sociedade egípcia. O governo no Egito Antigo era teocrático: os administradores governavam em nome dos deuses (da religiosidade). O principal governante do Egito, ou das cidades-estados, era chamado de faraó: ele possuía todo o poder (assumia várias funções: era o rei, juiz, sacerdote, tesoureiro, general) e era tido como um deus vivo: filho do Sol (Amon-Rá) e encarnação de Hórus (deus falcão). Portanto, a religiosidade e o culto aos deuses no Egito Antigo tinham um grande significado para a sociedade.
Os egípcios cultuavam vários deuses (politeístas) e alguns deuses eram animais. Por exemplo: o gato acabava com as infestações de ratos nos celeiros com os mantimentos; o cachorro auxiliava na caça; o gado, na agricultura (puxava a charrua), entre outros.
Os animais no Egito Antigo eram considerados a encarnação dos próprios deuses. Os egípcios também adoravam as formas e forças da natureza, como o rio Nilo, o Sol, a Lua e o vento.
Cada cidade-estado egípcia possuía o seu deus protetor. Existiam deuses com formato de animal (zoomorfismo), outros deuses tinham o formato de homem juntamente com animal (corpo de homem e cabeça de animal – antropozoomorfismo) e também existiam deuses somente com o formato humano (antropomorfismo).
A religiosidade tinha importância para os egípcios até após a morte, pois eles acreditavam na imortalidade. Por esses motivos cultuavam os mortos e praticavam a mumificação (a conservação dos corpos). Acreditavam que o ser humano era constituído por Ká (corpo) e Rá (alma). No momento da morte, a alma deixaria o corpo, mas poderia continuar a viver no reino de Osíris ou de Amon-Rá – a volta da alma para o corpo dependia do julgamento no Tribunal de Osíris.
Após o julgamento de Osíris, se a alma retornasse ao corpo, o morto voltaria à vida no reino de Osíris; se não, a alma ficaria no reino de Amon-Rá. Daí a importância da conservação dos corpos pela mumificação, se a alma retornasse ao corpo, este não estaria decomposto.
 Os principais deuses egípcios eram:
Rá, o deus Sol, unido ao deus Amon, formando Amon-Rá, era o principal deus.
A deusa Nut, representada por uma figura feminina, era a mãe de Rá (Sol). Ela engoliu Rá, formando a noite e fazendo-o renascer a cada manhã.
Ísis foi esposa de Osíris, mãe de Hórus, protegia a vegetação e era a deusa das águas e das sementes.
O deus Hórus foi o deus falcão, filho de Ísis e Osíris, cultuado como o sol nascente.
Osíris, deus dos mortos, da vegetação e da fecundidade, era representado pelo rio Nilo. Era Osíris que buscava as almas dos mortos para serem julgadas em seu Tribunal.
Set foi colocado como grande inimigo de Osíris (Nilo), era o vento quente vindo do deserto, encarnação do mal.
O deus Amon, considerado deus dos deuses do Egito Antigo, foi cultuado junto com Rá (Amon-Rá).
As crenças e cultos religiosos estavam na base das manifestações culturais, sociais, políticas e econômicas no Egito. A religiosidade permeava toda a sociedade egípcia, nas artes, na medicina, na astronomia, na literatura e no próprio governo do Egito Antigo.
 Os deuses egípcios
Os egípcios cultuavam inúmeros deuses, com funções e aspectos variados. Existiam deuses cultuados em todo o Egito e outros adorados apenas em determinados lugares. Entre os primeiros estavam os deuses ligados à morte e ao enterro, como Osíris.
O culto a Ísis e a Osíris era o mais popular no Egito Antigo. Acreditava-se que Osíris e sua irmã-esposa, Ìsis, tinham povoado o Egito e ensinado aos camponeses as técnicas  de agricultura. Conta a lenda que o deus Set apaixonou-se por Ísis e por isso assassinou Osíris. Esse ressuscitou e dirigiu-se para o Além, tornando-se o deus dos mortos.
Os antigos egípcios acreditavam que as lágrimas de Ísis, que chorava a morte do esposo, eram responsáveis pelas cheias periódicas do Nilo. Também era adorado o deus Hórus, filho de Ísis e Osíris. 
Estas divindades possuíam algumas características (poderes) acima da capacidade humana. Poderiam, por exemplo, estar presente em vários locais ao mesmo tempo, assumir várias formas, até mesmo de animais e interferir diretamente nos fenômenos da natureza. As cidades do Egito Antigo possuíam um deus protetor, que recebia oferendas e pedidos da população local.
Os deuses egípcios têm muito em comum com os homens: podem nascer, envelhecer, morrer: possuem um corpo que deve ser alimentado, um nome, sentimentos. No entanto, estes aspectos muito humanos escondem uma natureza excepcional: seu corpo, composto de matérias preciosas, é dotado de um poder de transformação, suas lágrimas podem dar nascimento a seres ou minerais. Os poderes dos deuses são sempre comparados a algumas propriedades dos elementos da natureza ou dos animais, o que dá lugar a representações híbridas às vezes espantosas.
Para representar os deuses, todas as combinações são possíveis: divindades totalmente humanas, deuses inteiramente animais, com corpo de homem e cabeça de animal, com o animal inteiro no lugar da cabeça (o escaravelho, por exemplo) ou com cabeça humana. A esfinge, imagem do deus-sol e do rei, é um leão com cabeça humana. Há animais comuns a muitas divindades (o falcão, o abutre, a leoa) e outros que são característicos de apenas uma (íbis de Thot, o escaravelho de Khepri).
Os egípcios mumificavam e enterravam seus animais domésticos. Sobretudo em uma data relativamente tardia, no decorrer do 1° milênio A.C. os egípcios sacrificavam animais para mumificá-los e amontoá-los aos milhares em cemitérios especiais. São, provavelmente, ex-votos que os devotos compraram dos sacerdotes para oferecer a seu deus seu animal preferido. O culto dos touros sagrados é muito mais antigo: um animal único torna-se uma manifestação terrestre do deus. Ele tem direito a um enterro com grandes pompas.
Havia inúmeros Deuses, sendo inevitável às rivalidades e as contradições.
A religião exerceu bastante influência na vida do povo do antigo Egito. É ainda um dos aspectos dessa grande civilização antiga sob os quais os arqueólogos talvez mais tenham conhecimento, devido às já famosas pirâmides, lugar de descanso eterno de importantes faraós, além da grande quantidade de múmias encontradas, textos mortuários e similares.
No antigo Egito, entendia-se que homem e natureza deveriam conviver em harmonia para sempre. Seu culto era politeísta (crença em vários deuses, ao invés de um apenas, como na religião cristã), onde cada deus atuava em um campo específico da vida dos cidadãos. Haviam também deuses que combinavam o aspecto de homem e de outros animais, como por exemplo Anúbis, retratado com cabeça de chacal e corpo humano.
A criação do mundo de acordo com o culto egípcio prega que no início de tudo havia apenas o Oceano Primal, um enorme oceano envolto em trevas. Apesar de conter dentro de si toda a matéria que depois se desenvolveria em vida, assim permaneceu, inerte, durante longo tempo. É então que Nu, espírito da água primeva e pai dos deuses, decide por criar o mundo, e ao pronunciar a palavra, o mundo existiu, na forma previamente traçada na mente do espírito criador. A seguir, criou o ovo (ou então flor em alguns relatos) do qual salta Ra, deus sol, onde se acreditava estar o poder absoluto do espírito divino.
Mas sem dúvida o conceito mais intrigante do culto egípcio era o que envolve a ressureição a uma vida futura, e a preparação dos mortos para esta passagem de um nível para outro. O conceito de mumificação estava diretamente ligado a esse aspecto, pois, para os egípcios, sem um corpo íntegro (sem mutilações) para se enterrar, a alma do morto não poderia entrar incólume na vida eterna. Assim, todo cidadão, ao morrer, passaria pelo processo de mumificação, ou seja, de preservação de seu corpo. Todo este cerimonial estava ligado ao culto de Osíris, uma das deidades mais populares do Egito antigo, que, segundo a crença, fora esquartejado em 14 pedaços por Set, sendo ressuscitado por Ísis, sua irmã e esposa. Da união de Ísis e Osíris surge Hórus, que derrotaria Set, vingando seu pai. Osíris era exemplo na causa da ressurreição dos mortos.
Além desse aspecto mais conhecido, os egípcios tinham por hábito eleger um deus como protetor de sua cidade. Além disso, eram erguidos vários templos para adoração de uma divindade em especial, onde se realizavam rituais e oferendas.
A religião ainda estava presente na estrutura de poder desta antiga civilização. O faraó declarava parentesco com os deuses e era neles que apoiava sua monarquia. Era o poderoso monarca que poderia assim, com sua ligação divina, proporcionar uma agricultura fértil, além de uma ótima condição de vida a cada cidadão.
Com as constantes invasões estrangeiras, o culto local acaba entrando em decadência. Primeiro, ele se mistura com a religião grega, e vai acumulando outros elementos quando o Egito é anexado pelo Império Romano. Com a ascensão do cristianismo, o Egito é um dos lugares onde a nova religião mais prospera, e por volta do século IV da nossa era, os últimos templos de culto aos deuses egípcios eram demolidos.
 As crenças religiosas dos antigos egípcios tiveram uma influência importante no desenvolvimento da sua cultura, embora nunca tenha existido entre eles uma verdadeira religião, no sentido de um sistema teológico unificado. A fé egípcia baseava-se na acumulação desorganizada de mitos antigos, culto à natureza e inumeráveis divindades. No mais influente e famoso destes mitos desenvolve-se uma hierarquia divina e se explicava a criação do mundo.
De acordo com o relato egípcio da criação, no princípio só existia o oceano. Então Rá, o Sol, surgiu de um ovo (segundo outras versões de uma flor) que apareceu sobre a superfície da água. Rá deu à luz quatro filhos, os deuses Shu e Geb e as deusas Tefnet e Nut. Shu e Tefnet deram origem à atmosfera. Eles serviram-se de Geb, que se converteu na terra, e elevaram Nut, que se converteu em céu. Rá regia todas as coisas. Geb e Nut posteriormente tiveram dois filhos, Set e Osíris, e duas filhas, Ísis e Neftis. Osíris sucedeu Rá como rei da terra ajudado por Ísis, sua esposa e irmã. Set odiava seu irmão e o matou. Ísis embalsamou o corpo do seu esposo com a ajuda do deus Anúbis, que desta forma tornou-se o deus do embalsamento. Os feitiços poderosos de Ísis ressuscitaram Osíris, que chegou a ser rei do mundo inferior, da terra dos mortos. Horus, filho de Osíris e Ísis, derrotou posteriormente Set em uma grande batalha tornando-se rei da terra.
Desse mito da criação surgiu a concepção da eneada, grupo de nove divindades, e da tríade, formada por um pai, uma mãe e um filho divinos. Cada templo local tinha sua própria eneada e sua própria tríade. A eneada mais importante foi a de Rá com seus filhos e netos. Este grupo era venerado em Heliópolis, centro do culto ao Sol no mundo egípcio. A origem das deidades locais é obscura; algumas vieram de outras religiões e outras de deuses animais da África pré-histórica. Gradativamente foram se fundindo em uma complicada estrutura religiosa, ainda que comparativamente poucas divindades locais tivessem chegado a ser importantes em todo o Egito. As divindades importantes incluíam os deuses Amon, Thot, Ptah, Khnemu e Hapi e as deusas Hator, Nut, Neit e Seket. Sua importância aumentou com o ascendente político das localidades onde eram veneradas. Por exemplo: a eneada de Menfis era encabeçada por uma tríade composta pelo pai Ptah, a mãe Seket e o filho Imhotep.

De qualquer modo, durante as dinastias menfitas, Ptah chegou a ser um dos maiores deuses do Egito. De forma semelhante, quando as dinastias tebanas governaram o Egito, a eneada de Tebas adquiriu grande importância, encabeçada pelo pai Amon, a mãe Mut e o filho Khonsu. Conforme a religião foi se desenvolvendo, muitos seres humanos glorificados após sua morte acabaram sendo confundidos com deuses. Assim Imhotep, que originariamente fora o primeiro ministro do governador da III Dinastia Zoser chegou a ser conceituado como um semideus. Durante a V Dinastia, os faraós começaram a atribuir a si mesmos ascendência divina e desde essa época foram venerados como filhos de Rá. Deuses menores, simples demônios, ocuparam também um lugar hierarquico entre as divindades locais.