A PSICOGRAFIA
Quando falamos em contato com os espíritos sempre nos vem
a mente a imagem do nosso saudoso irmão Francisco Cândido Xavier em suas
inúmeras sessões de caridade, recebendo mensagens do além túmulo para confortar
corações partidos pela ausência de nossos entes queridos que se foram. Mas o
assunto é mais complexo e vai além do nossa curiosidade procura em resposta do
conforto para saber se estão bem. A curiosidade sobre o que nos espera no pós
morte.
A vida continua?
Existe o céu ou o inferno?
Os espíritos desencarnados podem nos auxiliar a resolver
problemas terrenos que só os olhos do invisível pode responder?
Bem com o auxilio de uma ferramenta maravilhosa chamada
internet busquei respostas para esclarecer a curiosidade de muitos que procuram
respostas, tanto para descansar a mente do sofrimento da perda, como para
abreviar diante de provas que até então num passado recente a lei não aceitava
a ajuda de religião para esclarecer diversos crimes.
Lembrando que o Espiritismo não é uma religião e sim uma
doutrina de aprendizado constante.
Vamos começar pelo significado da palavra:
Psicografia (do grego, escrita da mente ou da alma),
segundo o vocabulário espírita, é a capacidade atribuída a certos médiuns de
escrever mensagens ditadas por Espíritos.
O Que é Psicografia?
No capítulo XV do Livro dos Médiuns, o autor Allan Kardec
nos explica que de todas as formas de comunicação entre os encarnados
(espíritos no corpo físico) e o plano espiritual (os diversos mundos
espirituais onde residem os espíritos), a escrita manual dos espíritos pela mão
do médium é a mais simples, a mais cômoda, e sobretudo a mais completa.
No referido capítulo, Kardec aconselha que “todos os
esforços devem ser feitos para o seu desenvolvimento, porque ela permite
estabelecer relações permanentes e regulares com os espíritos como os que
mantemos entre nós. Tanto mais devemos usá-la, quanto é por ela que os
espíritos revelam melhor a sua natureza e o grau de perfeição ou de sua
inferioridade. Pela facilidade com que podem exprimir-se, dão-nos a conhecer os
seus pensamentos íntimos se assim nos permitem aprecia-los e julga-los em seu
justo valor. Além disso, para o médium essa faculdade é a mais suscetível de se
desenvolver pelo exercício”.
É bom lembrar que a maior parte da codificação organizada
por Allan Kardec foi baseada na psicografia, revelações escritas por médiuns em
diversas partes do mundo, e que esclareceram as dúvidas do pesquisador sobre as
relações entre os mundos material e espiritual, principalmente durante o
processo de elaboração de O Livro do Espíritos, primeira publicação de Kardec
definindo as bases do Espiritismo.
Uma das formas mais antigas de comunicação, a
psicografia, entretanto, não surgiu na época de Kardec. Na história da
Humanidade encontram-se registros de comunicação espiritual através da escrita
nas mais antigas civilizações, embora muitos dos médiuns do passado não
tivessem consciência da própria mediunidade, muito menos da origem do conteúdo
de seus manuscritos.
Mas é a partir de Kardec que este tipo de comunicação
ganha mais força. No Brasil, através do trabalho de divulgação da obra de
Francisco Cândido Xavier (Chico Xavier) é que veremos as mais notáveis
mensagens, muitas delas reproduzidas nos livros assinados pelo médium. Isso sem
mencionar a grande obra original escrita por Chico, composta por mais de 400
livros todos psicografados.
Em meados do ano de 2005, os mentores espirituais do
Centro Espírita Ana Vieira comunicaram que a Casa estava pronta para implantar
um trabalho de psicografia. Atendendo à solicitação dos mentores, foi
realizado, durante todo o ano de 2006, um treinamento mediúnico voltado para o
exercício da psicografia, em que foram convidados todos os tarefeiros do Centro
que desejassem desenvolver este tipo de mediunidade. No ano seguinte, o
treinamento de psicografia foi separado do treinamento mediúnico, já com a
participação de um grupo de médiuns com maior facilidade na comunicação
escrita.
Ao mesmo tempo em que treinava uma equipe para implantar
esse trabalho, os dirigentes do Centro Espírita Ana Vieira (CEAV) buscaram
instruções de como implantar este trabalho, baseando-se na experiência de
outras Casas onde esta tarefa já estava implantada.
“Nosso objetivo é aliviar as saudades que as pessoas
sentem com a separação dos seus entes queridos, e mostrar a todos que a morte
não existe, que continuamos vivos, e que um dia vamos nos reencontrar”, explica
Ruth Passos, diretora do Departamento Espiritual do Centro Espírita Ana Vieira.
A psicografia, ao mesmo tempo que atende aos anseios do público em busca de
notícias de seus entes queridos que já partiram para a espiritualidade, ajuda
nas tarefas de comunicação com o plano superior.
Apesar de aparentemente se tratar de uma tarefa simples,
a psicografia exige muito treinamento e, acima de tudo, conhecimento da
doutrina espírita, sem mencionar a necessidade de uma vigilância constante do
médium, através da prática de um boa conduta, reforma interior baseada nos
princípios da caridade moral, entre outras ações que auxiliam o tarefeiro estar
sempre sintonizado com os bons espíritos.
Embora o treinamento mediúnico de psicografia seja
realizado semanalmente na Casa, o atendimento público, por enquanto, está
restrito a um dia por mês. Todos os meses, o Centro realiza um trabalho aberto
que, apesar de não haver o contato direto com os médiuns, o público tem como
solicitar mensagens de seus entes queridos. Qualquer pessoa pode solicitar uma
mensagem, desde que tenha alguma afinidade com o espírito, fazendo parte da
família ou sendo um amigo muito íntimo.
Para isso, há necessidade de comparecer pessoalmente
numas das datas marcadas para a Cerimônia de Psicografia Pública e preencher
uma ficha com os dados básicos do desencarnado. No mesmo dia, a ficha é levada
aos médiuns psicógrafos da Casa para uma sintonia com o plano espiritual.
Feito este contato prévio, uma equipe espiritual dedicada
à este trabalho busca, entre os milhares de espíritos na erraticidade, o ente
querido cujas condições de comunicação ainda não se sabe se poderão ser
estabelecidas numa primeira solicitação.
Caso o espírito esteja lúcido diante de sua nova
realidade e desejoso de enviar uma mensagem ao solicitante, o plano espiritual
o traz no dia da psicografia, facilitando a sua seleção na concorrência, entre
centenas de espíritos, desejosos de enviar uma mensagem. Nesta oportunidade
facilitada pelo plano espiritual, o espírito é convidado a se comunicar
diretamente através da escrita, ao mesmo tempo em que vê a presença de seu ente
querido aguardando pela mesma no salão da Casa. Uma ocasião que dificilmente se
repete em outras tarefas, já que é muito difícil que um espírito e um encarnado
marquem data e local para um reencontro no plano terrestre, com a
disponibilidade de um médium para a facilitar a mensagem.
Muitas vezes o processo se dá ao contrário. O ente
desencarnado (falecido) é quem encontra a casa espírita e intui o seu parente
para que o encontre no centro num determinado dia. É por esse motivo que muitas
pessoas acabam encontram o Ana Vieira por uma razão quase intuitiva, sem saber que
na verdade estão vindo por intuição de seus entes queridos. Esta intuição
acontece mais frequentemente durante o sono, e muitas vezes as pessoas acordam
sem lembrar do encontro que tiveram com estes espíritos.
Apesar de seguirem todas as orientações da Casa, muitas
pessoas não recebem mensagem. “Nem todos recebem, como dizia Chico Xavier, o
telefone toca de cima para baixo”, diz Ruth, lembrando que a comunicação se dá
única e exclusivamente por vontade do espírito, do plano espiritual para o
plano terrestre, e jamais por invocação do solicitantes. Ruth acrescenta que
existem as mais diferentes razões para não ocorrer uma comunicação. A mais
comum, entre elas, é a que o espírito não está em condições psíquicas para
fazê-lo neste momento.
“São vários motivos, como por exemplo, um espírito que
pode estar em tratamento, não tendo condições de mandar mensagens. Existem
muitas razões, só lendo os livros da codificação de Allan Kardec, e estudando é
que vamos entendendo o porque. Devemos sempre orar por eles, lembrar das coisas
boas que passaram juntos, não ficar chorando ou se lamentando, pois isto só
lhes farão muito infelizes. Eles ficam felizes quando os seus familiares estão
procurando se esclarecer através do estudo, trabalhando na caridade, lembrando
sempre que todos pertencem a Deus, e que para Deus todos voltarão.
Allan Kardec nos explica no capítulo XV do Livro dos
Médiuns, que na psicografia existem várias modalidades de mediunidade:
mecânica, semimecânica, intuitiva, etc. No médium puramente mecânico, por
exemplo, o movimento da mão independe de sua vontade, funcionando como uma
máquina.Reparem que quando esse processo se dá pela mediunidade mecânica
poderão reparar que a letra é exatamente igual ao do espírito quando encarnado.
Já o médium semimecânico participa de ambos os gêneros, sente que na sua mão
uma impulsão é dada, mas ao mesmo tempo tem consciência do que escreve à medida
que as palavras se formam. No médium intuitivo, por sua vez, o movimento é
voluntário e facultativo, ele age como faria um intérprete. No primeiro, o
pensamento vem depois do ato da escrita, no segundo, precede-o e no terceiro
acompanha. Segundo Kardec, estes últimos tipos de médiuns são os mais
numerosos.
“O espírito livre, neste caso, não atua sobre a mão, para
faze-la escrever, não a toma, não a guia, atua sobre a alma com a qual se
identifica, a alma do médium sob esse impulso dirige a mão e esta dirige o
lápis”, diz Kardec, acrescentando que “em tal circunstância o papel do médium
não é de inteira passividade, ele recebe o pensamento do espírito livre e
transmite. Nessa situação, o médium tem consciência do que escreve, embora não
exprima o seu próprio pensamento, é o que chamamos de médium intuitivo. É possível
reconhecer-se o pensamento sugerido, por não ser nunca preconcebido, nasce na
medida que a escrita vai sendo traçada. Pode mesmo estar fora dos limites do
conhecimento e capacidade dos médiuns”.
Ruth Passos explica que na casa há diferentes tipos de
médiuns, e que algumas pessoas estranham a letra da mensagem, a forma de
expressão do espírito, mas em alguns casos reconhecem as semelhanças no
tratamento de nomes próprios, como apelidos ou na assinatura final da mensagem.
“Temos mais médiuns intuitivos e semi-mecânicos na casa. Normalmente a letra da
tradução é do médium, às vezes é finalizada de forma semi-mecânica com
assinatura que o espírito usava quando encarnando”, esclarece.
Espíritos que estão desencarnados há muito tempo se
expressam em termos diferentes, primeiro porque já não têm as mesmas atitudes e
formas de pensamento de quando estavam encarnados, e segundo, que a mensagem
enviada por meio de uma intuição ao médium altera a forma de expressão ditada
pelo espírito, o que causa uma estranha sensação para aquele parente ou amigo
solicitante, que estava acostumado com a forma de falar do desencarnado.
O importante, entretanto, é o conteúdo da mensagem, e se
o solicitante prestar atenção em detalhes do texto, perceberá expressões ou
informações que somente o espírito poderia transmitir ao médium, intérprete que
nunca o conheceu em vida.
No trabalho de psicografia realizado uma vez por mês no
Centro, o solicitante preenche uma ficha com os dados do desencarnado apenas
como uma forma de “entrevista” com representantes do plano espiritual presentes
no local, incumbidos de localizar o espírito. Feito este contato prévio, a
equipe espiritual estabelece o contato com o ente querido ou o seu mentor
espiritual, que pode ser um espírito amigo do desencarnado (anjo da guarda) ou
um parente próximo desencarnado há mais tempo, como pais, avós, etc.
Muitas vezes, a mensagem psicografada que vem pela
primeira vez é justamente de um mentor espiritual (parente já falecido ou amigo
espiritual, a quem muitos preferem chamar de “anjo da guarda”), pois o
desencarnado não ainda não está pronto para estabelecer um contato com o
médium. É bom sempre lembrar que a comunicação mediúnica entre os dois mundos
exige treinamento de ambos os lados.
O solicitante que não recebeu a mensagem no dia, pode,
entretanto, retornar a casa em outras datas com a mesma ficha, trazendo sempre
o amor e a esperança no coração.
É importante lembrar que no plano espiritual o tempo é
diferente do nosso tempo aqui na Terra. Alguns desencarnados levam anos para
entender sua nova realidade, enquanto outros mais espiritualizados compreendem
sua nova situação com maior rapidez. Todos nós somos espíritos com diferentes
graus de evolução e devemos entender e respeitar o tempo de cada indivíduo na
compreensão do seu papel nas diversas encarnações no planeta. Portanto, alguns
espíritos tem maior facilidade de entendimento e se comunicam rapidamente com
seus entes queridos, enquanto outros podem levar muitos anos.
Além disso, existem outras possibilidades a serem
consideradas, como espíritos que já estão em plena tarefa no mundo espiritual
sem tempo para enviar mensagens aos “parentes” da última encarnação, ou que
possivelmente já tenham reencarnado, numa oportunidade rara de restabelecer
relações de amor com os parentes que ainda estarão na Terra quando ele ou ela
estiverem juntos novamente.
Segundo a doutrina espírita, a psicografia seria uma das
múltiplas possibilidades de expressão mediúnica existentes. Allan Kardec
classificou-a como um tipo de manifestação inteligente, por consistir na
comunicação discursiva escrita de uma suposta entidade incorpórea ou espírito,
por intermédio de um homem.
Psicografia mecânica, Semi-mecânica e Intuitiva.
No primeiro caso, o menos passível de validação
experimental, o médium tem plena consciência daquilo que escreve, apesar de não
reconhecer em si a autoria das ideias contidas no texto. Tem a capacidade de
influir nos escritos, evitando informações que lhe pareçam inconvenientes ou
formas de se expressar inadequadas.
Alegoria que representa, segundo a ótica espírita, o
Médium Chico Xavier, psicografando uma mensagem do Espírito de Emmanuel
No segundo, o médium poderia até estar consciente da
ocorrência do fenômeno, perceber o influxo de ideias, mas seria incapaz de
influenciar voluntariamente o texto, que basicamente lhe escorreria das mãos. O
impulso de escrita é mais forte do que sua vontade de parar ou conduzir
voluntariamente o processo.
No terceiro caso, o mais adequado para uma averiguação
experimental controlada, o médium poderia escrever sem sequer se dar conta do
que está fazendo, incluindo-se aí a possibilidade de conversar com
interlocutores sobre determinado tema enquanto psicografa um texto completamente
alheio ao assunto em pauta [carece de fontes]. Isso porque, segundo Kardec,
esses médiuns permitiriam ao espírito agir diretamente sobre sua mão ou seu
braço, sem recorrer à mente.
Além da doutrina espírita, há várias correntes
espiritualistas em que é bem evidente a admissão da possibilidade de ocorrência
desse fenómeno, como a Teosofia e a Umbanda.
Como podemos desenvolver este dom?
Infelizmente, até hoje, por nenhum diagnóstico se
pode inferir, ainda que aproximadamente, que alguém possua essa faculdade. Os
sinais físicos, em os quais algumas pessoas julgam ver indícios, nada têm de
infalíveis.
Ela se manifesta nas crianças e nos velhos,
em homens e mulheres,
quaisquer que sejam o temperamento,
o estado de saúde,
o grau de desenvolvimento intelectual e moral.
Só existe um meio de se lhe
comprovar a existência. É experimentar.
Pode obter-se a escrita, como
já vimos, com o auxílio das cestas e pranchetas, ou, diretamente, com a mão.
Sendo o mais fácil e, pode dizer-se, o único empregado hoje, este último modo é
o que recomendamos à preferência de todos.
O processo é dos mais
simples: consiste unicamente em a pessoa tomar de um lápis e de papel e
colocar-se na posição de quem escreve, sem qualquer outro preparativo. Entretanto,
para que alcance bom êxito, muitas recomendações se fazem indispensáveis.
No médium aprendiz, a fé não é a condição rigorosa; sem
dúvida lhe secunda os esforços, mas não é indispensável; a pureza de intenção,
o desejo e a boa-vontade bastam. Têm-se visto pessoas inteiramente incrédulas
ficarem espantadas de escrever a seu mau grado, enquanto que crentes sinceros
não o conseguem, o que prova que esta faculdade se prende a uma disposição
orgânica.
Tudo, neste desenvolvimento, se aplica à escrita
mecânica. É a que todos os médiuns procuram, com razão, conseguir. Porém,
raríssimo é o mecanismo puro; a ele se acha freqüentemente associada, mais ou
menos, a intuição.
Tendo consciência do que
escreve, o médium é naturalmente levado a duvidar da sua faculdade; não sabe se
o que lhe sai do lápis vem do seu próprio, ou de outro Espírito. Não tem
absolutamente que se preocupar com isso e, nada obstante, deve
prosseguir. Se se observar a si mesmo com atenção, facilmente descobrirá
no que escreve uma porção de coisas que lhe não passavam pela mente e que até
são contrárias às suas ideias, prova evidente de que tais coisas não provêm do
seu Espírito. Continue, portanto, e, com a experiência, a dúvida se
dissipará.
Se ao médium não foi concedido ser exclusivamente
mecânico, todas as tentativas para chegar a esse resultado serão infrutíferas;
erro seu, no entanto, fora o julgar-se, em conseqüência, não aquinhoado.
Se apenas é dotado de mediunidade intuitiva, cumpre que com isso se contente e
ela não deixará de lhe prestar grandes serviços, se a souber aproveitar e não a
repelir.
Desde que, após inúteis
experimentações, efetuadas seguidamente durante algum tempo, nenhum indício de
movimento involuntário se produz, ou os que se produzem são por demais fracos
para dar resultados, não deve ele hesitar em escrever o primeiro pensamento que
lhe for sugerido, sem se preocupar com o saber se esse pensamento promana do
seu Espírito ou de uma fonte diversa: a experiência lhe ensinará a distinguir.
Aliás, é freqüente acontecer
que o movimento mecânico se desenvolva ulteriormente. Dissemos acima
haver casos em que é indiferente saber o médium se o pensamento vem de si
próprio, ou de outro Espírito. Isso ocorre quando, sendo ele puramente
intuitivo ou inspirado, executa por si mesmo um trabalho de imaginação.
Pouco importa atribua a si
próprio um pensamento que lhe foi sugerido; se lhe acodem boas ideias, agradeça
ao seu bom gênio, que não deixará de lhe sugerir outros. Tal é a inspiração dos
poetas, dos filósofos e dos sábios.
Se, apesar de todas as tentativas, a mediunidade não
se revelar de modo algum, deverá o aspirante renunciar a ser médium, como
renuncia ao canto quem reconhece não ter voz. Mas, se não puder, à falta
de médiuns, recorrer a nenhum, nem por isso deverá considerar-se privado da
assistência dos Espíritos. Para estes, a mediunidade constitui um meio de
se exprimirem, porém, não um meio exclusivo de serem atraídos. Os que nos
consagram afeição se acham ao nosso lado, sejamos ou não médiuns. Um pai
não abandona um filho porque, surdo e cego, não o pode ouvir nem ver; cerca-o,
ao contrário, de toda a solicitude. O mesmo fazem conosco os bons
Espíritos. Se não podem transmitir-nos materialmente seus pensamentos,
auxiliam-nos por meio da inspiração.
A Psicografia e a caridade no Auxílio com a Justiça
No Brasil, em alguns casos, a psicografia foi utilizada
como prova em tribunal. Textos psicografados por Chico Xavier foram aceitos
como provas judiciais (entre outras que também foram apresentadas pela defesa)
e mostraram-se como elementos decisivos nas sanções aplicadas em três casos de
julgamento de homicídio internacionalmente repercutidos, ocorridos nos estados
de Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná entre os anos de 1976 e 1982.
Um dos casos mais famosos registrou-se em maio de 2006,
em Porto Alegre (RS), tendo a ré, Iara Marques Barcelos sido inocentada do
assassinato do ex-amante, Ercy da Silva Cardoso, graças a uma carta que teria
sido ditada pelo falecido. Mais recentemente, em 17 de maio de 2007, o
julgamento do réu, Milton dos Santos, pelo assassinato de Paulo Roberto Pires
(o "Paulinho do Estacionamento") em abril de 1997, foi suspenso
devido a uma carta recebida pelo médium Rogério Leite em uma sessão espírita
realizada em 2004, na qual Paulinho inocenta o acusado. No entanto, o advogado
Roberto Selva da Silva Maia indicou em um artigo18 que os documentos
psicografados podem ser aceitos no tribunal como documento particular, mas não
como prova judicial. Segundo ele, isso se dá porque a lei estabelece que a
morte extingue a personalidade humana, logo um morto não poderia gerar
documento legal. Também segundo ele, a psicografia depende da aceitação de
premissas religiosas, e o judiciário não é religioso visto que nosso estado é
laico e, não haveria forma de se usufruir do princípio do contraditório e da ampla
defesa.
Em contrário a opinião de Roberto Selva da Silva Maia, a
advogada Michele Ribeiro de Melo fez sua dissertação de mestrado defendendo a
aceitação da psicografia como prova judicial, tendo conquistado o título de
mestre em Direito pela Univem. Segundo ela, "A psicografia pode ser
utilizada como prova judicial sem afrontar nenhum preceito constitucional ou
princípio processual, muito pelo contrário, a admissibilidade desta espécie de
prova ocorre em observância à garantia fundamental do direito à prova, aos
princípios constitucionais e aos princípios que regem as provas em nosso
ordenamento jurídico[...] Verificamos que a prova psicografada não ofende o
princípio do Estado Laico, que prevê a liberdade de crenças e cultos
religiosos, haja vista que a psicografia, como fenômeno mediúnico, é faculdade
natural do ser humano, estudado pela ciência e não se trata de elemento
religioso"
Como se dá a vibração entre médium e espírito
Estamos diante do psicógrafo comum. Antes do trabalho a
que se submete, neste momento, auxiliares do plano espiritual já lhe prepararam
as possibilidades para que não se lhe perturbe a saúde física. A transmissão da
mensagem não será simplesmente "tomar a mão”. Há processos intrincados,
complexos.
No corpo do intermediário,
grande laboratório de forças vibrantes:
As glândulas do médium transformaram-se em núcleos
luminosos, à guisa de perfeitas oficinas elétricas.
Os condutores medulares formavam extenso pavio,
sustentando a luz mental, como chama generosa de uma vela de enormes
proporções.
Os centros metabólicos infundiam surpresas.
O cérebro mostrava fulgurações nos desenhos
caprichosos.
Os lobos cerebrais lembravam correntes dinâmicas.
As células corticais e as fibras nervosas, com suas
tênues ramificações, constituíam elementos delicadíssimos de condução das
energias recônditas e imponderáveis.
Nesse concerto, sob a luz mental indefinível, a epífise
emitia raios azulados e intensos.
Transmitir mensagens de uma
esfera para outra, no serviço de edificação humana demanda esforço, boa
vontade, cooperação e propósito consistente. É natural que o treinamento e a
colaboração espontânea do médium facilitem o trabalho; entretanto, de qualquer
modo, o serviço não é automático... Requer muita compreensão, oportunidade e
consciência.
O intermediário não pode
improvisar o estado receptivo. A sua preparação espiritual deve ser incessante.
Qualquer incidente pode perturbar-lhe o aparelhamento sensível. Além disso, a
cooperação magnética do plano espiritual é fundamental para a execução da
tarefa.
Todo centro glandular é uma
potência elétrica. No exercício mediúnico de qualquer modalidade, a epífise
desempenha o papel mais importante. Através de suas forças equilibradas, a
mente humana intensifica o poder de emissão e recepção de raios peculiares à
esfera espiritual. É nela, na epífise, que reside o sentido novo dos homens;
entretanto, na grande maioria deles, a potência divina dorme embrionária.
A glândula pineal do
intermediário expedia luminosidade cada vez mais intensa.
A operação da mensagem não é
nada simples, embora os trabalhadores encarnados não tenham consciência de seu
mecanismo intrínseco, assim como as crianças, em se fartando no ambiente
doméstico, não conhecem o custo da vida ao sacrifício dos pais.
Muito antes da reunião que se efetua, o médium já foi
objeto de atenção especial da espiritualidade, para que os pensamentos
grosseiros não lhe pesem no campo íntimo.
Foi convenientemente ambientado e, ao sentar-se aqui, foi
assistido por vários operadores do plano espiritual.
Antes de tudo, as células nervosas receberam novo
coeficiente magnético, para que não haja perdas lamentáveis do tigróide
(corpúsculos de Nissl), necessário aos processos da inteligência.
O sistema nervoso simpático, mormente o campo autônomo do
coração, recebeu auxílios enérgicos e o sistema nervoso central foi
convenientemente atendido, para que não se comprometa a saúde do trabalhador de
boa vontade.
O vago foi defendido por influenciação espiritual contra
qualquer choque das vísceras.
As glândulas supra-renais receberam acréscimo de energia,
para que se verifique acelerada produção de adrenalina, de que precisamos para
atender ao dispêndio eventual das reservas nervosas.
Nesse instante, o médium
parecia quase desencarnado. Suas expressões grosseiras, de carne, haviam
desaparecido, tamanha a intensidade da luz que o cercava, oriunda de seus
centros perispirituais. Expressão mais significativa do homem imortal, filho do
Deus Eterno. Cada célula é um motor elétrico que necessita de combustível para
funcionar, viver e servir.
Resumindo, o Médium é assistido, auxiliado e
cuidadosamente preparado atrávés de energias vibratórias e gozam de saúde
proveniente de uma cura recebendo constantemente energias para que este
processo não prejudique sua saúde mental, física e espíritual.
O processo de comunicação dos espíritos
O processo das comunicações entre os planos visível e
invisível, mormente quando se trata de trabalhos que interessam de perto o
progresso moral das criaturas, trabalhos esses que requerem a utilização de
inteligências nobilíssimas do Espaço, cujo grau de elevação o meio terrestre
não pode comportar, verifica-se, quase que invariavelmente, dentro de um
tele-dinamismo poderoso, que estais longe ainda de apreciar nas vossas condições
de espíritos encarnados.
Entidades sábias e
benevolentes, que já se desvencilharam totalmente dos envoltórios terrenos,
basta que o desejem, para que distâncias imensas sejam facilmente anuladas, a
fim de que os seus elevados ensinamentos sejam ministrados, desde que haja
cérebro possuidor de capacidade receptiva e que lhes não ofereça obstáculos
insuperáveis.
Esta análise do papel dos médiuns e dos processos pelos
quais os Espíritos se comunicam é tão clara quanto lógica. Dela decorre, como
princípio, que o Espírito haure, não as suas ideias, porém, os materiais de que
necessita para exprimi-las, no cérebro do médium e que, quanto mais rico em
materiais for esse cérebro, tanto mais fácil será a comunicação. Quando o
Espírito se exprime num idioma familiar ao médium, encontra neste, inteiramente
formadas, as palavras necessárias ao revestimento da ideia; se o faz numa
língua estranha ao médium, não encontra neste as palavras, mas apenas as
letras. Por isso é que o Espírito se vê obrigado a ditar, por assim dizer,
letra a letra, tal qual como quem quisesse fazer que escrevesse alemão uma
pessoa que desse idioma não conhecesse uma só palavra. Se o médium é
analfabeto, nem mesmo as letras fornece ao Espírito. Preciso se torna a este
conduzir-lhe a mão, como se faz a uma criança que começa a aprender. Ainda
maior dificuldade a vencer encontra aí, o Espírito.
Estes fenômenos, pois,
são possíveis e há deles numerosos exemplos; compreende-se, no entanto, que
semelhante maneira de proceder pouco apropriada se mostra para comunicações
extensas e rápidas e que os Espíritos hão de preferir os instrumentos de manejo
mais fácil, ou, como eles dizem, os médiuns bem aparelhados do ponto de vista
deles.
Se os que reclamam esses
fenômenos, como meio de se convencerem, estudassem previamente a teoria, haviam
de saber em que condições excepcionais eles se produzem.
Ressaltando que Deus na sua infinita bondade envia nos
seus anjos de luz para estar sempre ao nosso lado. Eles nos ampara, nos livra da
dor. Basta deixar cair o véu da ignorância e ver com os olhos da alma que não
estamos sozinhos. Há muito mais entre o céu e a Terra que nossa vã filosofia.
Muita Luz a todos!!!
Wal Oliveira
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