19 abril 2015

A ILHA SAGRADA DE AVALON

A ILHA SAGRADA DE AVALON


É no sudoeste da Inglaterra, a 150 km de Londres, que está um dos lugares mais sagrados da Inglaterra, a cidadezinha de Glastonbury. Esta cidade é considerada sagrada pelos bruxos do mundo inteiro pois é ali que expedições arqueológicas encontraram não só vestígios de um Rei Arthur em carne e osso como também do seu refúgio, a lendária Ilha de Avalon.
Avalon, palavra provavelmente originária do celta, abal que significa maçãs. A maçã representa a imortalidade, o conhecimento e a magia. Uma terra dos Deuses, a ilha das maçãs, um reino de pura beleza e amor, de maravilhas, da magia da grande Deusa, a busca constante de todo o ser humano que, apesar de todas as desilusões, ainda tem a esperança de fazer deste mundo uma lenda real, ou seja, um lugar melhor para se viver.
Outros atestam que o nome Avalon tem origem no semi-deus celta Avalloc.
Avalon também recebe o nome de Ilha Afortunada, pois suas colheitas são fartas e abundantes. Diz a lenda que, era governada por Morgana e suas nove irmãs, sacerdotisas guardiãs do caldeirão do renascimento, símbolo da Grande Deusa, capaz de curar todos os males. Além de evocar as brumas para adentrarem à ilha encantada.
Avalon está associada a Caer Siddi (Fortaleza das Fadas), o Outro Mundo ou Annwn, a Terra da Eterna Juventude. Ilha, onde apenas o povo das fadas, bruxas ou sacerdotisas e os nobres cavalheiros de alma pura podiam adentrar.
A ilha sagrada de Avalon não existe nas dimensões de tempo e espaço conhecidos por nós. Ao longo dos séculos, as pessoas tentam localizá-la, em locais como: o País de Gales, a Irlanda, a Cornualha e a Bretanha.
Mas a cidade de Glastonbury, em Somerset na Inglaterra, é particularmente associada a Avalon, através dos seus mitos e lendas locais, relacionando a colina do Tor como sendo a entrada do Annwn, lar de Gwynn ap Nud, o rei das fadas e guardião do submundo. Descendo a colina, em meio aos carvalhos, chega-se a "Chalice Well Gardens", os Jardins do Cálice Sagrado, fonte de água avermelhada com propriedades curativas, reforçando o mito do Santo Graal.
Para muitos, porém, não há dúvidas de que a pacata e bucólica Glastonbury de hoje foi outrora a mítica Ilha de Avalon e atrai visitantes de todos os gêneros: românticos fascinados pela história do rei Arthur e das bruxas ou sacerdotisas. Peregrinos à procura da herança da antiga religião, místicos em busca do Santo Graal, em busca da energia que emana de Stonehenge que era ligada ao antigo rio Avalon, ainda quando Glastonbury era rodeada por pântanos.

Pesquisas arqueológicas atestam que os campos de Glastonbury há milhares de anos, foram pântanos drenados, ou seja, a cidade já foi uma ilha, o que reforça sua proximidade com as lendas de Avalon também chamada de "Ynis Vitrin" ou Ilha de Vidro. Os Celtas a consideravam uma passagem para outro nível de existência.
A Deusa, uma divindade da mãe-terra reverenciada pelas sociedades primitivas em muitas partes do mundo, aparentemente teve seus seguidores na Inglaterra. Em Silbury Hill há uma enorme colina perto de Stonehenge, que teria representado o ventre da deusa grávida. Para erguê-la, seus construtores teriam feito um esforço prodigioso, arrastando cerca de 36 milhões de cestas cheias de terra, durante 15 anos.
A pedra-ovo, considerada símbolo da poderosa mãe cósmica pode possuir uma energia própria, ela emite fortes vibrações. Com quase 40 metros de altura, uma estrutura artificial pré-histórica que alguns historiadores acreditam que ela representasse um olho, um símbolo usual da deusa-mãe. O morro em si seria a íris e o círculo em seu topo, a pupila.
A 1,50 quilômetro a leste de Glastonbury, ergue-se a mais de 150 metros de altitude outra colossal gravidez da terra, o Tor, um cone extraordinário, visível de todas as direções em um raio de mais de 30 quilômetros.
Ao redor de suas encostas os terraços construídos pelos homens formam um imenso labirinto que se enrosca até o corpo. Alguns pesquisadores acreditam que esses caminhos tortuosos foram projetados para a prática de rituais pagãos, na pré-história.
O Tor é coroado pela torre em ruínas de uma igreja dedicada a São Miguel, um célebre caçador de dragões e inimigo dos espíritos do mal.
Os monges medievais ergueram a igreja com o intuito de cristianizar o local e erradicar seus vínculos com reis e deuses pagãos.


Segundo uma lenda celta, a entrada para Annwn, a morada subterrânea das fadas, pode ser encontrada através de túneis e câmaras naturais localizadas debaixo do Tor. Seria através desse portal que Gwynn ap Nudd, rei das fadas, teria partido em caçadas selvagens para encontrar e roubar os espíritos dos mortos.
O Tor de Glastonbury é inconfundível em uma vista aérea. Sobressai de tal maneira na paisagem, que induziu à hipótese de ter servido como referência para a aterrissagem de discos voadores. “Tor” em celta significa Portal, passagem; estaria ali a passagem do nosso mundo para a ilha sagrada de Avalon.
Uma tradição milenar relata também que está em Glastonbury (antiga Ilha de Avalon) o Poço do Cálice Sagrado (Chalice Well), onde José de Arimatéia, amigo e protetor de Cristo, no ano 37 d.C., teria escondido o Santo Graal, o cálice da Santa Ceia, contendo o sangue de Jesus. O poço fica nas proximidades da colina de Tor.
É um lugar muito apreciado para meditação. De uma fonte, sai uma água pura e cristalina com propriedades medicinais. O sangue do cálice teria sacralizado e tingido a água pura do poço.
Esta é realmente vermelha. Segundo cientistas, devido ao alto teor de ferro no solo. Para os turistas e locais, beber as águas do "Chalice Well" é beber da própria fonte da juventude.
A comunidade de Avalon convivia pacificamente com os cristãos, que ali chegaram pedindo abrigo. Foram acolhidos com a condição de que não interferissem nos cultos e nas tradições antigas. Diz-se que padre José de Arimatéia levou o cálice Graal contendo o sangue de Jesus para a ilha de Avalon.
Entretanto, com o passar do tempo, os padres (não José de Arimatéia, que se “dizia”, teria uma concepção contrária de outros padres) começaram a ver os cultos pagãos como profanos, dizendo que em seus rituais o demônio era adorado, condenando-os.
Muitas comunidades pagãs foram destruídas, e a partir de 391, com a consolidação do cristianismo como religião oficial do Império Romano, as perseguições tornaram-se maiores e os cultos pagãos foram totalmente proibidos.
As sacerdotisas de Avalon cultuavam suas deusas e deuses, e viviam em harmonia com a natureza, ao seu ritmo, seguindo as mudanças das estações do ano, os ciclos da lua com seus antigos rituais. Viviam lá as Sacerdotisas da Lua e aprendizes dos mistérios e das forças da natureza, conheciam a magia, as ervas para curar, os segredos do céu e das estrelas e a música. Avalon era o local onde tudo florescia, era iluminada pelo sol.
Invisíveis aos olhos descrentes, as brumas revelam seus mistérios apenas aos que servem ao princípio maior, junto aos Deuses. A lenda se torna realidade, mas o medo, como sempre, é o grande desafio daqueles que estão na travessia deste portal mágico, prestes a desvendar os segredos do Outro Mundo.
Avalon é o templo do mundo interior, terra da eterna magia e que oferece iniciação e esclarecimento a todos que iniciam nessa jornada. Somente aqueles que compreendem que a vida é infinita em suas possibilidades poderão abrir as portas deste mundo.
O universo nos coloca, sincronicamente, em caminhos que irão modificar não apenas a nossa existência, mas toda a realidade que nos cerca.
Avalon se apresenta nos corações daqueles que são sinceros e seguem o que lhes foi traçado pelos Deuses, mas, somente nós somos os responsáveis por tecer o fio do nosso destino.
Avalon é uma ilha sagrada. Há muitas eras, pertencia ao mundo, mas hoje, está entre a Terra e o Reino Encantado, cercado pelas brumas que encobrem a ilha e a separa do mundo dos homens.
A ilha sagrada de Avalon é linda e serena, mas somente para aqueles que preservam a sinceridade no coração. Além das brumas, a madrugada esmorece para dar lugar ao nascer do Sol e finalmente, a fonte sagrada da Deusa emerge através do tempo.

Avalon sempre existiu, hoje ainda existe em um outro plano, uma outra dimensão a ser descortinada pela alma de cada bruxo... Uma terra de amor e beleza, onde viver era simples como respirar. As pessoas corriam livres pelos campos e de nada se arrependiam, pois não haviam motivos para ser aquilo que não eram. Poucos ainda se lembram dos campos floridos e das flores que vibravam em outras tonalidades. Tudo era diferente. Muitos buscam novamente Avalon, mas este tempo não existe mais. A inocência era virtude e a verdade era uma qualidade.
As brumas se elevam e nos trazem recordações de um tempo que não infelizmente não existe mais. Os ritos eram sagrados, porque assim foi ensinado. Não haviam tradições nem contradições, só havia o amor. Simples como acordar e olhar o Sol, sereno como contemplar o brilho das estrelas e belo como reverenciar a face da Lua.
A Lua, sim, ela era mais límpida, como os nossos corações. Muitos estão aqui hoje, mas poucos se lembram, apenas sentem saudades de lá. Avalon se foi apenas por ser bela e são poucos os que ainda a compreendem e que ainda podem alcançá-la num plano Maior.
 Onde está o caminho que nos leva de volta? Não sei, mas ainda está lá! Porém, somente para aqueles que ainda conservam a sinceridade no coração. O véu da maldade encobriu tudo e as ervas daninhas cercaram todo o caminho em volta. Mas Avalon ainda está lá... Linda e serena.
Não é apenas uma lenda, é um fato!
Avalon está lá, mas não para aqueles que buscam o conto de fadas, mas para aqueles que buscam uma elevação espiritual, a inocência e pureza da alma, para esses ela ainda pode ser alcançada.
Avalon se foi do mundo físico e apenas retornará aquele que o canto novamente souber invocar.
Existem muitos mistérios que envolvem a Sagrada ilha de Avalon.... Mistérios que muitos já tentaram desvendar, sem sucesso... Até hoje, não se sabe se realmente é real sua história, ou se apenas uma lenda criada por um povo antigo.
Para os verdadeiros seguidores da Grande Mãe, para aqueles que têm a magia dentro do coração, Avalon realmente existe, e está em algum lugar, pronta para ser encontrada por aqueles que crêem em sua existência.
Eu, não tenho dúvidas a respeito de sua existência, sinto sua presença constante dentro de meu coração... e um dia, nós, filhos de Avalon, retornaremos a esse lugar espetacular, de onde um dia saímos para mostrar ao mundo um pouco da sabedoria da grande Mãe.

Avalon está em meu coração, em meu espírito, na minha essência. Fecho os olhos e posso senti-la pulsar dentro de mim.

Grasi Marchioro

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