09 fevereiro 2016

A espiritualidade do Carnaval



“Carnaval é uma grandiosa cosmovisão universalmente popular de milênios passados... é o mundo às avessas”. (Bakhtin, 1970) 

O carnaval realizado no Brasil é a maior festa popular do mundo. Grande parte dos foliões brasileiros, no entanto, não conhecem as origens e as implicações dessa festa. Pensa-se que o carnaval é uma brincadeira típica do Brasil, mas várias cidades do mundo como Nice (França), Veneza (Itália), Nova Orleans (EUA), dentre outras, também a celebram anualmente. 

O carnaval, para surpresa de muitos, é um fenômeno social anterior a era cristã. Assim como atualmente ela é uma tradição em vários países, na antiguidade, o carnaval também foi praticado por várias civilizações. No Egito, na Grécia e em Roma, pessoas de diversas classes sociais se reuniam em praça pública com máscaras e enfeites para desfilarem, beberem vinho, dançarem, cantarem e se entregarem as mais diversas libertinagens. 

A diferença entre o carnaval da antiguidade para o de hoje é que, no primeiro, as pessoas participavam das festas mais conscientes de que estavam adorando aos deuses. O carnaval era uma prática religiosa ligada à fertilidade do solo. Era uma espécie de culto agrário em que os foliões comemoravam a boa colheita, o retorno da primavera e a benevolência dos deuses. No Egito, os rituais eram oferecidos ao deus Osíris, por ocasião do recuo das águas do rio Nilo. Na Grécia, Dionísio, deus do vinho e da loucura, era o centro de todas as homenagens, ao lado de Momo, deus da zombaria. Em Roma, várias entidades mitológicas eram adoradas, desde Júpiter, deus da urgia, até Saturno e Baco. 

Na Roma antiga, o mais belo soldado era designado para representar o deus Momo no carnaval, ocasião em que era coroado rei. Durante os três dias da festividade, o soldado era tratado como a mais alta autoridade local, sendo o anfitrião de toda a orgia. Encerrada as comemorações, o “Rei Momo” era sacrificado no altar de Saturno. Posteriormente, passou-se a escolher o homem mais obeso da cidade, para servir de símbolo da fartura, do excesso e da extravagância. 

Com a supremacia do cristianismo a partir do século IV de nossa era, várias tradições pagãs foram combatidas. No entanto, a adesão em massa de não-convertidos ao cristianismo, dificultou a repressão completa. A Igreja foi forçada a consentir com a prática de certos costumes pagãos, muitos dos quais, cristianizados para evitar maiores transtornos. O carnaval acabou sendo permitido, o que serviu como “válvula de escape” diante das exigências impostas aos medievos no período da Quaresma. 

Na Quaresma, todos os cristãos eram convocados a penitências e à abstinência de carne por 40 dias, da quarta-feira de cinza até as vésperas da páscoa. Para compensar esse período de suplício, a Igreja fez “vistas grossas” às três noites de carnaval. Na ocasião, os medievos aproveitavam para se esbaldar em comidas, festas, bebidas e prostituições, como na antiguidade. 

Na Idade Média, o carnaval passou a ser chamado de “Festa dos Loucos”, pois o folião perdia completamente sua identidade cristã e se apegava aos costumes pagãos. Na “Festa dos Loucos”, tudo passava a ser permitido, todos os constrangimentos sociais e religiosos eram abolidos. Disfarçados com fantasias que preservavam o anonimato, os “cristãos não-convertidos” se entregavam a várias licenciosidades, que eram, geralmente, associadas à veneração aos deuses pagãos. 


O carnaval na Idade Média foi objeto de estudo de um dos maiores pensadores do século XX, o marxista russo Bakhtin. Em seu livro Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento, Bakhtin observa que no carnaval medieval – “o mundo parecia ficar de cabeça para baixo”. Vivia-se uma vida ao contrário. Era um período em que a vida das pessoas tornava-se visivelmente ambígua, pois a vida oficial - religiosa, cristã, casta, disciplinada, reservada, etc. – amalgamava-se com a vida não-oficial – a pagã e carnal. O sagrado que regulamentava a vida das pessoas era profanado e as pessoas passavam a ver o mundo numa perspectiva carnavalesca, ou seja, liberada dos medos e da ética cristã. 

Com a chegada da Idade Moderna, a “Festa dos Loucos” se espalhou pelo mundo afora, chegando ao Brasil, ao que tudo indica, no início do século XVII. Trazido pelos portugueses, o ENTRUDO – nome dado ao carnaval no Brasil – se transformaria na maior manifestação popular do mundo, numa das maiores adorações aos deuses pagãos do planeta e, por tabela, na maior apologia a prostituição apoiada pelo Estado. Você vai participar do CARNAval? 

Egina Carli de Araújo Rodrigues é professora de História das redes pública e particular de ensino no Acre (eduardoeginacarli@blogspot.com) 

Eduardo Carneiro, formado em História, é acadêmico do mestrado em letras pela UFAC.

08 fevereiro 2016

As antusas e o girassol, um amor não correspondido


As antusas ou anthousai em grego, eram as ninfas das flores e dos lugares floridos. A mais importante delas era Clóris - a verde, identificada pelos romanos como a deusa das flores e da vegetação, Flora.

Ela era esposa de Zéfiro - o Vento Oeste -  e mãe de Carpo - o Fruto. Reinava sobre os Campos Elísios ou as Ilhas dos Bem-Aventurados, o paraíso no Ocidente, além do Oceano destinado aos heróis da mitologia grega após a morte. As outras ninfas das flores eram: Iante, a ninfa das violetas - Rodeia, ninfa das rosas - Liríope, ninfa dos lírios.

Clítia ou Clítie era a ninfa do girassol e amava Helius, o deus Sol. Quando ele a abandonou pelo amor de Leucotéia, devido ao sofrimento Clítia começou a definhar. Ficava durante todo o dia sentada no chão frio com sua tranças desatadas sob os ombros. Passavam-se os dias sem que ela comesse ou bebesse, alimentando-se apenas das próprias lágrimas.


Durante o dia contemplava o Sol desde o nascente ao poente. Era a única coisa que via e seu rosto estava sempre voltado para ele. À noite, curvava-se para chorar. Por fim, seus pés criaram raízes no chão e o rosto transfigurou-se em uma flor, que passou a se mover sobre o caule sempre acompanhando o sol. Assim nasceu o heliótropo ou o girassol...
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Você pode amar uma pessoa e não ser correspondido. Essa é uma verdade cruel, mas é uma realidade. Mas também outra pessoa pode te amar e você não corresponder. A vida é cheia de desencontros. O ideal seria dar valor e gostar de quem realmente gosta de você. Muitas pessoas infelizmente se apaixonam por pessoas que não correspondem o seu amor, pior quando tem um sentimento por alguém comprometido, por alguém da família ou mesmo pelo namorado da irmã. Enfim, há coisas constrangedoras que tornam o amor proibido e impossível de se tornar real.

É uma situação difícil e a solução não é fácil e nem simples, porém é preciso agir também com a razão. Mesmo que seja muito dolorido, é preciso fazer algo a respeito. Se você ama alguém e sabe que não há qualquer possibilidade, procure conhecer novas pessoas, sair mais com os amigos, falar deste assunto com alguém de sua confiança ou a um terapeuta. Depois tente evitar de pensar nisso e comece a viver sua vida. Ficar sofrendo em silêncio ou mesmo procurar a solidão, não são atitudes inteligentes.

O sol passa todos os dias e segue seu curso, vivendo a sua própria vida, enquanto a ninfa Clitia permanece enraizada no mesmo lugar perdendo oportunidades de viver. Por isso, esteja junto de seus parentes e amigos, sorria, divirta-se, pois mesmo que você sofra por alguém, esse alguém estará sempre sorrindo e divertindo, e não está nem um pouco preocupado com você...

Retirado do Site http://eventosmitologiagrega.blogspot.com.br/search/label/mito%3A%20Antusas%20e%20o%20girassol%20um%20amor%20n%C3%A3o%20correspondido

05 fevereiro 2016

Yemanjá, Rainha do Mar


(iya, "mãe"; omo, "filho"; eja, ''peixe'')
Dia da semana: sábado
Cores: branco e azul (na argola utiliza-se o cristal transparente)
Saudação: Ô doiál (odo, "rio")
Número: 5
Elemento: água
Domínio: mar, água salgada
Vela: branca (pureza e paz)
Instrumento: abebê (espelho)
Iemanjá é proveniente de uma nação chamada Egbá, na Nigéria, onde existe um rio com o
mesmo nome do orixá.
Ela seria filha de Olokum (mar) e mãe da maioria dos orixás. Sua cor é branca, associada ao orixá Oxalá; juntos teriam feito a criação do mundo.
Na África, Iemanjá é associada à fertilidade e à fecundidade. Nas danças míticas, seus iniciados imitam o movimento das ondas executando curiosos gestos, ora como-se estivessem nadando no mar, abrindo os braços, ora levando as mãos à testa e elevando-as ao céu, indicando as variações das ondas do mar. Iemanjá segura um leque de metal e um espelho. 
Assim como Oxum, ela tem diversos nomes referentes à diversidade e às diferentes profundidades de cada trecho do rio Yemoja.
(Retirado do livro Orixás de Mônica Bonfiglio) 



Oração de Iemanjá para bênção e contra todos os males
Doce, meiga e querida Mãe Iemanjá. Vós permitiste que no seio de vossa morada se formassem as primitivas formas de vida, que foram o berço de toda a criação, de toda a natureza e de toda a humanidade, aceitai nossas preces de reconhecimento e amor.Que os lampejos que emanam de vosso diáfano manto de estrelas venham, como benéficas vibrações espirituais, aliviar os males, curar aos doentes, apaziguar os nossos irmãos revoltados, consolar os corações aflitos. Que as flores e oferendas que depositamos em vosso tapete sagrado, sejam por vós aceitas e quando entrarmos nas águas para vos ofertá-las seja as ondas do mar portadoras de vossos fluídos divinos. Fazei, Senhora Rainha das Águas, com que a espuma das ondas em sua alvura imaculada traga-nos a presença de Oxalá, limpe os nossos corações de todas as maldades e malquerenças.Que os nossos corpos, tocados por vossas águas sagradas, libertem-se em cada onda que passa, de todos os males materiais e espirituais.Que a primeira onda a nos tocar afaste de nossas mentes todos os eventuais desejos de vingança; que a segunda lave nossos corações e nosso espírito, para que não nos atinjam as infâmias e malquerença de nossos desafetos; que a terceira onda afaste a vaidade de nossos corações; que a quarta lave nosso corpo de todos os males e doenças físicas para que, sadios, possamos prosseguir; que a quinta onda afaste de nossa mente a ganância e a cobiça; que a cesta onda venha carregada de flores e que nosso maior desejo seja o de cultivar o amor fraternal que deve existir entre todos os homens; e que ao passar a sétima onda, nós, puros e limpos de mente, corpo e alma, possamos ver, ainda que apenas por alguns segundos, o esplendor de vossa radiosa imagem. É o que humildemente vos suplicam seus filhos.